quinta-feira, março 15, 2018

Conselho debate captação de água dentro do Parque Nacional

Comissão, com a participação do ICMBio, conselheiros e moradores, é formada para elaborar estratégias de regularização do uso dos recursos hídricos       

Marcela de Marins, analista ambiental do PNCD, apresenta dados da gestão de 2017. 

Foi realizada na cidade de Lençóis, no dia 1º de março, a 62ª reunião ordinária do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Chapada Diamantina (CONPARNA-CD), com a participação de 30 pessoas, entre conselheiros e moradores. Nos temas de destaque, estiveram o balanço das ações da gestão do ano de 2017 e a captação de água dentro da Unidade de Conservação (UC).

“Percebemos que o uso da água no entorno vem aumentando e, por consequência, diversas captações irregulares estão sendo instaladas dentro do Parque Nacional”, explica Soraya Martins, chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). O crescimento do parcelamento irregular do solo na borda da unidade, sem o devido planejamento hídrico, foi apontado pela gestora como a principal fonte desses problemas.

A temática de recursos hídricos foi eleita como prioritária para o atual mandato do CONPARNA-CD e, nesta reunião, foram definidos o papel e a abordagem do conselho para o assunto. Como primeiro passo, foi criada uma comissão, com a participação de técnicos, conselheiros e moradores, que irá escolher casos pilotos que serão analisados e foco da resolução da problemática. 

Paralelamente, com o apoio de universidades, será realizado um levantamento sobre a atual situação da captação de água na unidade, verificando, inclusive, a finalidade do seu uso, como, por exemplo, doméstica, agrícola e comercial.

MUNICÍPIOS

Chefe do PNCD, Soraya Martins, fala sobre a ocupação irregular do solo no entorno da Unidade de Conservação. 


A comissão também tem como meta aproximar o diálogo com os municípios do entorno, já que é o poder público municipal que detém a responsabilidade de autorizar os loteamentos. E, de acordo com Soraya, “algumas autorizações estão ocorrendo sem o estabelecimento de normas relacionadas ao abastecimento de água, o que traz consequências sociais e ambientais”.   

REGULARIZAÇÃO

O conselheiro Edilson Raimundo, doutor em gerenciamento de recursos hídricos, é um dos membros da comissão formada. 


A regularização da captação consistirá em definir critérios e procedimentos para utilização da água do Parque Nacional, estabelecer de que forma o uso será monitorado, quais serão as entidades envolvidas e o papel de cada uma delas na gestão da água.

É importante “pensar em como distribuir a água de forma consciente, levando em consideração, inclusive, como o recurso é utilizado, além de questões de saneamento”, explica Edilson Raimundo, conselheiro e membro da comissão. “Além disso, existe uma série de mecanismos para a diminuição do consumo que podem ser adotados”, acrescenta.

A ação foi definida pelos presentes como de médio e longo prazo, devido a sua complexidade, e continuará como prioridade nas atividades do CONPARNA-CD, que realizará a sua próxima reunião no dia 08 de junho, na cidade de Mucugê. 

sexta-feira, março 02, 2018

ICMBio inicia projeto de turismo de base comunitária em Itaetê

O objetivo é elaborar de forma participativa um produto turístico que contribua para o desenvolvimento sustentável no Parque Nacional e entorno 
    
Primeira oficina do projeto inicia inventário do turismo local. 


No dia 21 de fevereiro, foi realizada a primeira ação do projeto “Integrando iniciativas de Turismo de Base Comunitária (TBC) com o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e Parque Natural Municipal de Andaraí – Rota das Cachoeiras”, no município de Itaetê.

O projeto foi aprovado em edital lançado pelo ICMBio, no ano passado, destinado as unidades de conservação (UCs) federais, com o intuito de fortalecer ações voltadas ao desenvolvimento do turismo nas comunidades vizinhas ou residentes nas unidades.   

No valor de R$ 40 mil, a proposta tem como meta formatar um produto turístico para ser apresentado ao mercado. O município, localizado no sudoeste do PNCD, possui grande potencial turístico, pois abriga atrativos naturais de beleza singular, além do diferencial de possuir diversas comunidades rurais de cultura e modo de vida próprios.     

Características que atraem, a cada ano, mais visitantes, porém “isso vem ocorrendo de forma desorganizada, o que faz com que o município, muita vezes, perca turistas que não encontram o serviço desejado”, destaca Alex Lima, guia da Associação de Condutor de Visitantes de Itaetê (ACVI). “Esperamos que o projeto contribua para a inclusão dos moradores que trabalham direta e indiretamente no setor”, acrescenta.   

“O intuito é promover a integração do trade de Itaetê e estabelecer parcerias externas para fortalecer a geração de renda através do turismo nas comunidades rurais próximas ao Parque Nacional”, explica Marcela de Marins, analista ambiental do ICMBio e coordenadora do projeto.

A proposta dá continuidade a iniciativas de qualificação de mão de obra já realizados em Itaetê, como o executado pelo INCRA, em 2008 e 2013, de fomento ao turismo de base comunitária em assentamentos da Bahia. 

Ação participativa 

Participantes realizam levantamento dos serviços de transportes disponíveis. 


O projeto está dividido em três etapas: produção de inventário e diagnóstico do turismo local; elaboração do produto e comercialização. Essas ações serão realizadas com base em metologias participativas, em forma de oficinas com a presença dos atores locais.

Na primeira atividade, estiveram presentes cerca de 30 moradores entre representantes dos assentamentos e comunidades rurais, poder público municipal e trade turístico local. 

Na ocasião, foi realizado o levantamento de equipamentos e serviços turísticos, como atrativos, hospedagens, restaurantes, guias, agências e parceiros. A partir dessas informações, será verificado em campo quais itens levantados estão adequados para atender ao mercado.

O projeto possui duração de seis meses e a próxima oficina  será realizada no mês de abril. 


A primeira atividade foi realizada na sede do município. As demais estão previstas para acontecer nas comunidades rurais.


Turismo de Base comunitária (TBC) 

Desde 2011, o ICMBio enxerga o envolvimento das comunidades como um importante caminho para fortalecer os programas de visitação, agregar valor à experiência do visitante, bem como incrementar a renda dos moradores e aproximá-los positivamente da gestão das UCs, aumentando, assim, o apoio local às áreas protegidas.

O TBC é um modelo de gestão da visitação em que a comunidade é a protagonista, o que gera benefícios coletivos e promove a vivência intercultural, a qualidade de vida, a valorização da história e da cultura dessas populações, além da utilização sustentável para fins recreativos e educativos dos recursos da Unidade de Conservação. 

Além do edital, para contribuir com a implantação do modelo nas unidades do país, o instituto lançou, em 2017, a publicação “Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação Federais”, orientando as diretrizes e princípios sobre o TBC.  

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Vale do Capão terá monitoramento durante o carnaval

Monitores estarão presentes nas trilhas e no trânsito para garantir a qualidade da visitação, a segurança dos turistas e a preservação dos atrativos do Parque Nacional



O Vale do Capão é uma das localidades da Chapada Diamantina mais procuradas pelos turistas, o que tem se intensificado a cada ano, em especial nos feriadões. Por isso, visando garantir a qualidade da visitação, a segurança e a preservação da biodiversidade, começa a ser realizado hoje (09), até a quarta-feira de cinzas, uma campanha de monitoramento das trilhas e do trânsito.

Durante a ação, os visitantes serão informados sobre as normas do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e orientados sobre as condutas de mínimo impacto. Os monitores farão ainda a contagem de visitantes nos atrativos e estarão equipados com rádios para facilitar a comunicação em caso de acidentes ou de alguma ocorrência. 

A equipe de fiscalização do Parque Nacional e a Polícia Ambiental (CIPPA) também fazem parte da operação e estarão presentes para dar apoio aos monitores. “O objetivo principal é conscientizar os visitantes de que estão em uma Unidade de Conservação e que isso requer alguns cuidados, como não deixar lixo, dejetos, não fazer fogueiras ou mesmo não consumir bebidas alcoólicas”, explica Marcela de Marins, analista ambiental do ICMbio. 

“O Vale do Capão é um lugar reconhecido pela sua beleza exuberante e por proporcionar grande bem-estar aos turistas, por isso, estamos realizando um esforço conjunto entre órgãos e entidades para manter a organização do destino”, explica Marcelo Issa, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Palmeiras.  A ação inédita irá proporcionar ao visitante o monitoramento em praticamente todos os atrativos do município de Palmeiras.

Os parques municipais, do Riachinho e do Pai Inácio, e a cachoeira da Fumaça já possuem monitoramento constante. No feriado, a ação será expandida para os três pontos do vale que dão acesso aos demais atrativos do Parque Nacional: na entrada da trilha da cachoeira das Angélicas, da Purificação e do Vale do Pati; na trilha para as Rodas, Rio Preto e Poço do Gavião e Águas Claras.

Além dos atrativos naturais, na vila, os motoristas também serão orientados para não pararem em locais proibidos, respeitar o sentido das vias e assim, melhorar o fluxo de veículos, já que as ruas do Capão costumam ficar congestionadas nessas épocas.

A ação é da Prefeitura Municipal de Palmeiras em parceria com o ICMBio e o apoio da CIPPA, Associação de Condutores do Vale do Capão (ACV-VC) e Junta Independente Voluntária Ambiental (JIVA). 
 
 Antes de ir para a trilha, confira as normas de mínimo impacto:

Não faça fogueiras: Fogueiras são prejudiciais à natureza e proibidas em todo Parque Nacional. Utilize um fogareiro para cozinhar.                           

 Leve seu lixo de volta: o lixo não volta sozinho! Carregue seu lixo com você até encontrar uma lixeira fora do Parque Nacional.                 
 
 Para ir ao banheiro: evacue a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água e trilhas. Enterre o papel higiênico junto com as fezes.     

Não consuma bebidas alcoólicas: o ambiente natural apresenta alguns riscos intrínsecos e requer atenção redobrada. O consumo de álcool altera os sentidos, aumentando ainda mais as chances de um acidente.

Acampamentos: é proibido acampar na região das Águas Claras. No Vale do Pati utilize os acampamentos da Igrejinha, Escolinha, Prefeitura e a proximidade das casas dos moradores. Não acampe na beira de rios, em cavernas e não crie novos acampamentos. 

Não utilize equipamentos sonoros: o volume do seu rádio afeta o ecossistema e pode incomodar os demais visitantes. Aprecie o som da natureza!

quinta-feira, dezembro 28, 2017

Confira seis dicas de segurança antes de ir para trilha

Foto: Açony Santos


O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) é o paraíso do trekking. Ele possui mais de 60 atrativos, como cachoeiras, morros e poços, e mais de 300 km de trilhas que podem ser acessadas por seis municípios. 

As belezas naturais da região atraem milhares de pessoas durante o verão, mas antes de ir para a trilha, é preciso estar atento às questões de segurança. Por isso, a equipe do PNCD preparou essas dicas para que você desfrute das suas férias sem dor de cabeça: 

1) NÃO CORRA RISCOS DESNECESSÁRIOS

Resgates em áreas naturais são complexos, caros e demorados. As trilhas do Parque Nacional possuem condições rústicas e não possuem sinalização, então, saber cuidar de si é essencial.

2) PLANEJE SEU ROTEIRO

Antes de escolher um passeio, informe-se sobre as características do local, como distância, presença de água potável e o grau de esforço físico exigido.

3) NUNCA SAIA SOZINHO

Não há sinal de celular dentro do Parque. Informe no local onde está hospedado qual passeio irá realizar e deixe o contato de algum familiar para ser informado em caso de acidente.
Além disso, se você estiver acompanhado, terá alguém para te prestar socorro caso se machuque, seja picado por um animal peçonhento ou sinta-se mal.

4) NÃO SALTE NOS POÇOS

As águas da Chapada Diamantina são escuras e não é possível visualizar pedras, galhos e troncos. Mesmo que alguém “conheça”, as chuvas alteram o leito dos rios. 

5) SEMPRE USE TÊNIS

Proteja seus pés e suas férias. Para trilhas longas e irregulares, use botas ou tênis de cano alto para evitar torções.

6) CONTRATE UM BOM CONDUTOR DE VISITANTES

Eles são essenciais em trilhas pouco marcadas, longas e com terreno muito acidentado. Em trilhas com maior grau de dificuldade, a presença de um bom guia faz toda a diferença, pois, caso necessário, ele irá prestar os primeiros socorros e acionar um resgate.  Mas antes de fazer a contratação, peça recomendação sobre o seu trabalho.

Além disso, existem outras vantagens de se contratar um condutor de visitantes. Para quem possui pouca experiência em ambientes naturais, por exemplo, o condutor irá facilitar a sua experiência na natureza. Ele pode proporcionar também a prática de atividades como escalada e observação de aves para quem nunca fez isso antes.

Sem falar que ele pode enriquecer a viagem com informações sobre a geologia, botânica e história da região. Além de orientar na escolha dos melhores passeios e prestar o apoio necessário a grupos com crianças, idosos ou pessoas portadoras de necessidades especiais.

Serviço: 

Em caso de emergência, ligue: +55 (75) 3625-8836 (Corpo de Bombeiros)

terça-feira, dezembro 26, 2017

Travessia do Pati terá monitoramento durante recesso de fim de ano

A ação visa orientar os visitantes sobre as principais condutas de mínimo impacto que devem ser adotadas dentro do Parque Nacional 




O ICMBio começa amanhã (27) campanha de conscientização e monitoramento da visitação no Vale do Pati durante o feriadão de réveillon, que ocorrerá até o dia 03 de janeiro. O objetivo principal da ação é orientar os visitantes sobre as condutas de mínimo impacto dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e contabilizar o fluxo turístico neste período.

O monitoramento será realizado nas entradas de Guiné e Andaraí e em diversos trechos da trilha. Para dar apoio à sensibilização, os brigadistas do ICMBio também irão realizar a instalação de placas informativas. 

A travessia do Vale do Pati é um dos trekkings mais procurados do Brasil e está localizada no coração do Parque Nacional, portanto, alguns cuidados simples são imprescindíveis para evitar a degradação de algumas áreas, como não fazer fogueiras e levar o lixo de volta.

“O leito dos rios são áreas delicadas e precisam de uma atenção especial, por isso, vamos informar como realizar o procedimento adequado para ‘ir ao banheiro’ e qual o local correto de acampamento”, destaca Marcela de Marins, analista ambiental do ICMBio.   

É permitido acampar apenas nas áreas de camping junto às casas dos nativos, pois se trata de uma estrutura menos impactante do ponto de vista ambiental: “Os acampamentos localizados na beira de rios acabam gerando contaminação das águas por não possuírem banheiros. Além disso, infelizmente, muitos campistas deixam seu lixo nestes locais”, completa Marcela.   

A primeira edição da campanha ocorreu ano passado e devido ao seu sucesso, este ano foi ampliada. Durante o monitoramento, também será realizada uma pesquisa para conhecer melhor o perfil do turista que procura a região, saber qual foi o roteiro por ele escolhido e qual a sua satisfação em relação ao passeio.  As informações irão contribuir para nortear novas ações da gestão.

Outra novidade deste ano é a parceria com a Prefeitura Municipal de Andaraí, que disponibilizou a equipe responsável pelo monitoramento da entrada do município. 

Se você vai para a trilha, tome nota dessas dicas:

Não faça fogueiras: Fogueiras são prejudiciais à natureza e proibidas em todo Parque Nacional. Utilize um fogareiro para cozinhar.   
                     
 Leve seu lixo de volta: o lixo não volta sozinho! Carregue seu lixo com você até encontrar uma lixeira fora do Parque Nacional. 
                 
 Para ir ao banheiro: evacue a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água e trilhas. Enterre o papel higiênico junto com as fezes.   
 
Acampamentos: Utilize os acampamentos da Igrejinha, Escolinha, Prefeitura e proximidades das casas dos moradores. Evite acampar na beira de rios, cavernas ou criar novos acampamentos. 

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Conselho aprova portaria para credenciamento de condutores

Debatido amplamente desde 2013, documento segue agora para a aprovação do ICMBio de Brasília 



O Conselho Consultivo do Parque Nacional da Chapada Diamantina (Conparna-CD) aprovou, por unanimidade, a minuta da portaria que define as normas para o credenciamento dos condutores de visitantes que atuam dentro do Parque Nacional, em sua última reunião do ano, no dia 1º de dezembro, em Ibicoara. 

As normas do credenciamento foram construídas pelo Grupo Temático de Visitação do Conparna-CD de forma participativa, por meio de diversas consultas públicas realizadas aos condutores de visitantes nos municípios do entorno do Parque Nacional. 

Agora, a proposta será encaminhada para o setor jurídico do ICMBio, em Brasília, para aprovação e publicação no Diário Oficial da União. “Espera-se que o processo de credenciamento tenha início no segundo semestre de 2018”, afirma Marcela de Marins, analista ambiental do ICMBio. 

A proposta estabelece, entre outros itens, quais são os requisitos que os condutores devem possuir para solicitar o credenciamento, os mecanismos de avaliação de suas competências e as contrapartidas que serão realizadas para o Parque Nacional.

A medida visa incentivar a qualificação e a formalização da atividade oferecida dentro da Unidade de Conservação.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Conselho realiza última reunião do ano em comunidade de Ibicoara

Possível acordo de boa convivência entre moradores do Baixão e ICMBio foi tema central do debate 


O Conselho Consultivo do Parque Nacional da Chapada Diamantina (Conparna-CD) realizou, no dia 1º de dezembro, a 61ª reunião ordinária na comunidade do Baixão, em Ibicoara, que contou com a participação de conselheiros e moradores. A escolha do local se deu para aproximar o diálogo com as comunidades residentes do Parque, uma das metas do conselho para este ano. 

Entre os destaques da reunião estiveram: apresentação das ações realizadas pela gestão desde o último encontro; a aprovação da minuta da portaria de credenciamento dos condutores de visitantes que atuam dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e a problemática enfrentada pela comunidade do Baixão por estar localizada dentro da área da Unidade de Conservação (UC). 

De acordo com a chefe do PNCD, Soraya Martins, “a forma como ocorreu o processo de criação do Parque Nacional, em 1985, acabou incluindo muitas comunidades de agricultura familiar na sua área, o que ocasionou conflitos que são sentidos até os dias de hoje”.

O Baixão está localizado no extremo sul do PNCD e é constituído por cerca de 45 famílias. A maioria desenvolve a agricultura familiar de subsistência. Por isso, representantes da Associação de Moradores do Baixão – Ambai, manifestaram na reunião o anseio de permanecer em suas terras, garantindo seu modo de vida e o direito do uso do seu território, apresentando como solução a desafetação da área, o que significa alterar os limites do Parque para que a comunidade passe, então, a ficar fora do PNCD.

“Porém, essa não é uma alternativa simples, pois apenas o congresso nacional pode desafetar uma unidade de conservação federal”, explica Soraya. 
     


Outras opções para sanar o conflito foram apresentadas, como a construção de um Termo de Compromisso, que visa compatibilizar o modo de vida tradicional com a conservação da biodiversidade. Alternativa que já está sendo trabalhada em parceria com outras comunidas residentes, como a do Vale do Pati e da Fazenda Velha. Segundo a chefe do parque, este não é um debate novo. Em todo o mundo se discute como compatibilizar os direitos ambientais e os direitos humanos.

“Quando se trata de parques nacionais, a legislação brasileira estabelece que neles não deverão viver populações humanas. Por isso, o ICMBio vem tentando estabelecer acordos que minimizem os danos ambientais e garantam a dignidade das famílias que estavam ali antes da criação do parque.”

Para o morador Pedro Silva, de 61 anos, que nasceu e se criou no local, “o que precisamos é conhecer nossos direitos e deveres para podermos tocar as nossas roças”, destaca. Por isso, “a atual gestão tem se esforçado para compreender as necessidades dos moradores e, assim, acordar alguns termos de boa convivência, até que a solução definitiva ocorra,”, afirma Soraya. 

Para a moradora e guia de turismo, Neilsa Xavier, a reunião foi de extrema importância, pois “muitas dúvidas sobre as regras do Parque Nacional começaram a ser esclarecidas”.

O conselheiro e morador, Joel Pereira, destaca o desejo de continuidade do diálogo entre a comunidade e o ICMBio e, como resultado, encontrar maneiras de conciliação dos interesses, como “o direito das pessoas continuarem trabalhando na terra e, ao mesmo tempo, respeitando o meio ambiente”.
 
Para aprofundar o diálogo e dar início ao possível acordo, foi agendada uma nova reunião no local, que ocorrerá no dia 24 de fevereiro. A próxima reunião ordinária do Conparna-CD ocorrerá no município de Lençóis, no dia 01 de março. 

terça-feira, dezembro 12, 2017

ICMBio realiza curso de manutenção de trilhas em Mucugê

A ação visa atender a solicitação de guias e brigadistas de melhorar as trilhas do município, seguindo os parâmetros do Parque Nacional 



O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) realizou os primeiros encontros da capacitação “Planejamento e Manutenção de Trilhas”, em Mucugê, na última quinzena.  A ação surgiu para atender a demanda da Associação Marchas e Combates de realizar a manutenção das trilhas no município.

Para isso, foi desenvolvido um curso contendo os conceitos e princípios adotados pelo ICMBio nesses casos. A carga horária foi iniciada de forma teórica, momento no qual foram abordados os objetivos da visitação em uma Unidade de Conservação, contextualizando a trilha como equipamento prioritário pelo qual o turista conhece o Parque Nacional.

“Trabalhamos a partir do conceito de trilha sustentável, que possui três dimensões essenciais: ambiental, gerencial e experiencial”, explica Pablo Casella, analista ambiental do ICMBio. A primeira dimensão se refere aos aspectos físicos e ambientais da trilha e que devem ser evitados, como perda de solo, assoreamento, encharcamento e a exposição de raízes. A dimensão gerencial está relacionada à eficácia no emprego de recursos, como a mão de obra, o tempo e o dinheiro necessários à realização de um trabalho, ou seja, deve-se optar sempre pela solução mais duradoura possível para evitar ao máximo que haja um novo trabalho de manutenção no local. E, por fim, as intervenções devem sempre levar em consideração a experiência do turista, contribuindo para que a visita se torne ainda mais agradável.             

Para o presidente da associação, José Antônio de Jesus, o conteúdo proporcionou uma nova forma de enxergar o ambiente, já tão conhecido por ele. “Agora olhamos para uma trilha, ou para um paredão, e vemos também uma série de informações contidas ali”, destaca. 

A capacitação terá a duração total de três dias. “Nas próximas etapas, iremos estudar os conceitos de trilha, quais os parâmetros de construção e partir para a atividade em campo, quando vamos falar sobre como abri-las, realizar a manutenção e como adequar as já existentes”, explica Casella. O próximo e último encontro ocorrerá no dia 20 de dezembro.   

Voluntariado  


A solicitação da Associação Marchas e Combates surgiu a partir da vontade de se realizar ações para congregar os associados e manter vivo o trabalho em prol do meio ambiente. “Nós já possuímos o hábito de trabalhar conjuntamente durante os períodos de incêndio, portanto, entendemos que era possível expandir nossas atividades para além desses períodos. Por isso, procuramos o Parque Nacional para indicar ações que poderíamos colaborar”, afirma José Antônio.

“Além disso, quando nos capacitamos, ampliamos o nosso conhecimento técnico e contribuímos diretamente para o desenvolvimento do turismo, o que também está entre os nossos objetivos”, completa.
   
“A gestão do PNCD apoia e é entusiasta de iniciativas como essa. Por isso, estamos planejando realizar a capacitação nos demais municípios do entorno do Parque Nacional para brigadas, associações e demais pessoas interessadas”, afirma Casella.

quinta-feira, novembro 09, 2017

ICMBio debate credenciamento de condutores no Parque Nacional da Chapada Diamantina

Medida visa incentivar a qualificação e formalizar a atividade oferecida dentro da Unidade de Conservação. A construção das normas para o credenciamento está sendo realizada de forma participativa 

Reunião com os representantes de condutores em Lençóis 
Nos meses de setembro e outubro, o ICMBio realizou reuniões com representantes das associações de condutores de visitantes para consultá-los acerca da proposta de credenciamento para atuação dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Os encontros ainda estão ocorrendo nos seis municípios abrangidos pelo Parque Nacional: Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

O objetivo da ação é valorizar os condutores que cumprem as normas do Parque Nacional, que estão preparados para prestar primeiros socorros e realizam o trabalho dentro de padrões específicos.

“Atualmente, a atividade é realizada por centenas de condutores. Desde os mais especializados, que oferecem serviços como observação de aves, até os chamados ‘guias de verão’, pessoas sem qualificação e pouca experiência que atuam na alta temporada. Por isso, o credenciamento representará um diferencial para quem realiza seu trabalho dentro dos padrões desejados”, explica Marcela de Marins, analista ambiental do ICMBio.

Quem estiver credenciado contará, por exemplo, com a divulgação de seu nome, que será realizada pelo Parque Nacional, e terá uma identificação visual, facilitando seu reconhecimento por parte dos visitantes.

O condutor é quem está diariamente no Parque Nacional e possui contato direto com os turistas, portanto, a sua conduta alinhada aos objetivos da conservação é fundamental. “Eles são os nossos olhos na trilha e possuem o papel de multiplicadores, determinam a qualidade da interação do visitante com a natureza e a sua compreensão da conservação da biodiversidade”, destaca Marcela. 

A organização da atividade no interior do PNCD tem ganhado apoio de representantes da categoria, como o guia de turismo e presidente do Conselho Municipal de Turismo de Lençóis, Dioclides Araújo. “A ação irá influenciar na melhoria do serviço oferecido pelos profissionais e o condutor que se credenciar terá um diferencial. Todo mundo vai sair ganhando”, afirma Araújo.

Ele conta que a necessidade de regularização já vem sendo discutida, inclusive, em âmbito municipal. “As próprias associações de condutores querem aperfeiçoar algumas leis para credenciar a atividade dentro dos municípios”. 

A proposta que vem sendo discutida estabelece, entre outros itens, quais são os requisitos que os condutores devem possuir para solicitar o credenciamento, os mecanismos de avaliação de suas competências e as contrapartidas que serão realizadas para o Parque Nacional.

A construção das normas do credenciamento foi iniciada pelo Grupo Temático de Visitação do Conselho Consultivo do PNCD (CONPARNA-CD), em 2013. A partir das considerações apresentadas pelos condutores de visitantes da região do Parque Nacional a proposta será consolidada e levada para apreciação do CONPARNA-CD. Posteriormente, será encaminhada para o setor jurídico do ICMBio, em Brasília, para aprovação e publicação no Diário Oficial da União. “Espera-se que o processo de credenciamento tenha início no segundo semestre de 2018”, afirma Marcela.

quarta-feira, novembro 08, 2017

Trabalho de brigadistas é fundamental para combate

Mesmo exaustos, voluntários e contratados atuaram diariamente para debelar incêndio no sul do Parque Nacional 



Por doze dias, brigadistas atuaram de forma ininterrupta para conter o incêndio que atingiu a região da Chapadinha, localizada ao sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Cerca de mil hectares foram atingidos e o prejuízo não foi maior, graças ao trabalho engajado de muitas pessoas. 

“Os brigadistas são os protagonistas dessa ação. Todos os dias tivemos cerca de 30 voluntários e 50 contratados do IBAMA e ICMBio”, afirma a chefe do PNCD, Soraya Martins. “E nós ficamos com a responsabilidade de garantir a coordenação estratégica e a logística de transporte e suprimento para eles”, completa. 

Para a chefe do Parque Nacional, que possui experiência na gestão de unidades de conservação em outros estados, o engajamento local é admirável. “Recebemos voluntários de diversos municípios do entorno, até dos mais distantes, que encararam, em alguns casos, mais de três horas de viagem, somadas a mais duas de caminhada até o local do incêndio”.

Um trabalho árduo que é realizado por amor a natureza, como afirma Cid, brigadista contratado do ICMBio e também membro da Brigada Carcará, de Palmeiras, que acaba de passar dez dias consecutivos em combate. “Eu luto por diversos motivos: para defender as nascentes e garantir água para as futuras gerações, pelos animais e porque, desde pequenino, o PNCD me traz felicidade e bem-estar”.

Para Augusto Galinares, presidente da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL), a sua motivação vem da vontade de defender o lugar onde vive. “É a minha forma de contribuir para a preservação do meio ambiente e é algo que sinto muito orgulho em fazer”, destaca.  O brigadista também afirma que, por mais que existam as brigadas contratadas, “todos nós temos um limite”, já que o trabalho é extremamente exaustivo. “Em um grande combate, é inevitável que sejam necessárias mais pessoas para contribuir”.



A presença das brigadas em todo o território vem surtindo efeito ao longo dos anos. Segundo Luiz Coslope, gerente de fogo do PNCD e chefe de operações do combate, “em 2002,  chegamos a registrar 250 focos, mas no ano passado nossas brigadas, contratadas e voluntários, atuaram em cerca de 30”, afirma.

Para a chefe do Parque, isso se deve a uma mudança na postura das comunidades locais, que não toleram mais as práticas que colocam a região sob-risco de incêndios florestais. “Todos os brigadistas têm papel fundamental nessa mudança”, afirma. Em 2015, em entrevista a revista Época, o promotor regional de Meio Ambiente, Augusto Matos, afirmou que os brigadistas “são a maior força humana” contra os incêndios na Chapada Diamantina.

Além do combate direto, voluntários reforçaram outras frentes importantes, como a logística, manutenção de veículos e transporte. O fogo foi controlado no dia 31 de outubro e, após 72 horas de monitoramento, foi considerado extinto. “O clima é de missão cumprida!”, diz Soraya.