quinta-feira, novembro 09, 2017

ICMBio debate credenciamento de condutores no Parque Nacional da Chapada Diamantina

Medida visa incentivar a qualificação e formalizar a atividade oferecida dentro da Unidade de Conservação. A construção das normas para o credenciamento está sendo realizada de forma participativa 

Reunião com os representantes de condutores em Lençóis 
Nos meses de setembro e outubro, o ICMBio realizou reuniões com representantes das associações de condutores de visitantes para consultá-los acerca da proposta de credenciamento para atuação dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Os encontros ainda estão ocorrendo nos seis municípios abrangidos pelo Parque Nacional: Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

O objetivo da ação é valorizar os condutores que cumprem as normas do Parque Nacional, que estão preparados para prestar primeiros socorros e realizam o trabalho dentro de padrões específicos.

“Atualmente, a atividade é realizada por centenas de condutores. Desde os mais especializados, que oferecem serviços como observação de aves, até os chamados ‘guias de verão’, pessoas sem qualificação e pouca experiência que atuam na alta temporada. Por isso, o credenciamento representará um diferencial para quem realiza seu trabalho dentro dos padrões desejados”, explica Marcela de Marins, analista ambiental do ICMBio.

Quem estiver credenciado contará, por exemplo, com a divulgação de seu nome, que será realizada pelo Parque Nacional, e terá uma identificação visual, facilitando seu reconhecimento por parte dos visitantes.

O condutor é quem está diariamente no Parque Nacional e possui contato direto com os turistas, portanto, a sua conduta alinhada aos objetivos da conservação é fundamental. “Eles são os nossos olhos na trilha e possuem o papel de multiplicadores, determinam a qualidade da interação do visitante com a natureza e a sua compreensão da conservação da biodiversidade”, destaca Marcela. 

A organização da atividade no interior do PNCD tem ganhado apoio de representantes da categoria, como o guia de turismo e presidente do Conselho Municipal de Turismo de Lençóis, Dioclides Araújo. “A ação irá influenciar na melhoria do serviço oferecido pelos profissionais e o condutor que se credenciar terá um diferencial. Todo mundo vai sair ganhando”, afirma Araújo.

Ele conta que a necessidade de regularização já vem sendo discutida, inclusive, em âmbito municipal. “As próprias associações de condutores querem aperfeiçoar algumas leis para credenciar a atividade dentro dos municípios”. 

A proposta que vem sendo discutida estabelece, entre outros itens, quais são os requisitos que os condutores devem possuir para solicitar o credenciamento, os mecanismos de avaliação de suas competências e as contrapartidas que serão realizadas para o Parque Nacional.

A construção das normas do credenciamento foi iniciada pelo Grupo Temático de Visitação do Conselho Consultivo do PNCD (CONPARNA-CD), em 2013. A partir das considerações apresentadas pelos condutores de visitantes da região do Parque Nacional a proposta será consolidada e levada para apreciação do CONPARNA-CD. Posteriormente, será encaminhada para o setor jurídico do ICMBio, em Brasília, para aprovação e publicação no Diário Oficial da União. “Espera-se que o processo de credenciamento tenha início no segundo semestre de 2018”, afirma Marcela.

quarta-feira, novembro 08, 2017

Trabalho de brigadistas é fundamental para combate

Mesmo exaustos, voluntários e contratados atuaram diariamente para debelar incêndio no sul do Parque Nacional 



Por doze dias, brigadistas atuaram de forma ininterrupta para conter o incêndio que atingiu a região da Chapadinha, localizada ao sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Cerca de mil hectares foram atingidos e o prejuízo não foi maior, graças ao trabalho engajado de muitas pessoas. 

“Os brigadistas são os protagonistas dessa ação. Todos os dias tivemos cerca de 30 voluntários e 50 contratados do IBAMA e ICMBio”, afirma a chefe do PNCD, Soraya Martins. “E nós ficamos com a responsabilidade de garantir a coordenação estratégica e a logística de transporte e suprimento para eles”, completa. 

Para a chefe do Parque Nacional, que possui experiência na gestão de unidades de conservação em outros estados, o engajamento local é admirável. “Recebemos voluntários de diversos municípios do entorno, até dos mais distantes, que encararam, em alguns casos, mais de três horas de viagem, somadas a mais duas de caminhada até o local do incêndio”.

Um trabalho árduo que é realizado por amor a natureza, como afirma Cid, brigadista contratado do ICMBio e também membro da Brigada Carcará, de Palmeiras, que acaba de passar dez dias consecutivos em combate. “Eu luto por diversos motivos: para defender as nascentes e garantir água para as futuras gerações, pelos animais e porque, desde pequenino, o PNCD me traz felicidade e bem-estar”.

Para Augusto Galinares, presidente da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (BRAL), a sua motivação vem da vontade de defender o lugar onde vive. “É a minha forma de contribuir para a preservação do meio ambiente e é algo que sinto muito orgulho em fazer”, destaca.  O brigadista também afirma que, por mais que existam as brigadas contratadas, “todos nós temos um limite”, já que o trabalho é extremamente exaustivo. “Em um grande combate, é inevitável que sejam necessárias mais pessoas para contribuir”.



A presença das brigadas em todo o território vem surtindo efeito ao longo dos anos. Segundo Luiz Coslope, gerente de fogo do PNCD e chefe de operações do combate, “em 2002,  chegamos a registrar 250 focos, mas no ano passado nossas brigadas, contratadas e voluntários, atuaram em cerca de 30”, afirma.

Para a chefe do Parque, isso se deve a uma mudança na postura das comunidades locais, que não toleram mais as práticas que colocam a região sob-risco de incêndios florestais. “Todos os brigadistas têm papel fundamental nessa mudança”, afirma. Em 2015, em entrevista a revista Época, o promotor regional de Meio Ambiente, Augusto Matos, afirmou que os brigadistas “são a maior força humana” contra os incêndios na Chapada Diamantina.

Além do combate direto, voluntários reforçaram outras frentes importantes, como a logística, manutenção de veículos e transporte. O fogo foi controlado no dia 31 de outubro e, após 72 horas de monitoramento, foi considerado extinto. “O clima é de missão cumprida!”, diz Soraya.

segunda-feira, outubro 30, 2017

Aeronave reforça combate no sul do Parque Nacional

   
ICMBio conta com apoio de diversas instituições e moradores para debelar o incêndio que acomete a região da  Chapadinha há onze dias 



A região da Chapadinha, no sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), está sendo atingida por um incêndio florestal, desde o dia 19. O ICMBio e diversas instituições permanecem em combate para debelar o fogo.   

Neste momento, estão atuando 80 pessoas, entre brigadistas (contratados e voluntários) e os bombeiros, com o apoio de um helicóptero enviado pela SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente). Durante o final de semana, a operação contou também com um avião airtractor, do ICMBio de Brasília, e foi instalado o Comando Unificado, com a participação do ICMBio, IBAMA, SEMA e Prefeitura de Ibicoara, com o objetivo das instituições atuarem de forma mais integrada. 

Outras instituições e voluntários também seguem dando apoio, como a prefeitura de Itaetê e o Inema, além de cidadãos que estão contribuindo com a doação de alimentos, água e medicamentos.

Apesar da complexidade do combate, até agora, os esforços conseguiram proteger das chamas o Parque Nacional e o Parque Natural Municipal do Espalhado. A maior parte do incêndio continua dentro do assentamento Boa Sorte Una, do INCRA, entre os municípios de Ibicoara e Itaetê. Cerca de mil hectares já foram atingidos.   

 “Durante o período mais quente do dia, sempre existe o risco de reignição, o que se agrava devido ao fogo de turfa [fogo subterrâneo que queima a matéria orgânica acumulada no solo] e também o de copa, já que algumas árvores acabam caindo em áreas onde o foco já havia sido debelado”, explica Soraya Martins. “Por isso, nossos brigadistas permanecem em campo para o combate imediato em caso de reignição”.   

Apesar do incêndio, a visitação aos atrativos do Parque Nacional continua normalmente, porque nenhum deles foi atingido ou ameaçado. 

sexta-feira, outubro 27, 2017

ICMBio permanece em combate no sul do Parque

Incêndio florestal atinge as margens do Parque Nacional da Chapada Diamantina há oito dias 



Desde quinta-feira (19), um incêndio atingiu a região da Chapadinha, localizada entre os municípios de Ibicoara e Itaetê.  Neste momento, a equipe combatente conta 80 brigadistas do ICMBio, do Prevfogo/IBAMA e voluntários de diversos municípios do entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD).

Cerca de 900 hectares já foram atingidos e os esforços são para que o fogo não entre no Parque Nacional, já que a maior parte do incêndio está dentro do assentamento Boa Sorte Una, do INCRA.

Desde quando o incêndio foi detectado, o ICMBio está, diariamente, em combate com todo o seu efetivo, além de contar com o apoio de brigadas voluntárias, voluntários de logística, IBAMA, INEMA e das prefeituras de Ibicoara, Itaetê e Andaraí.  Porém, devido às particularidades geográficas, houve a reignição do fogo, retornando o incêndio.  A região é de Mata Atlântica e, além de grande importância biológica, requer técnicas especificas de combate. 

“A ocorrência do incêndio é em área de floresta e estamos com fogo de copa e fogo de turfa (fogo subterrâneo que queima a matéria orgânica acumulada no solo), o que torna o combate bem complexo. Diversas técnicas vêm sendo empregadas, como a escavação de trincheiras e contra-fogo.”, explica Marcela Marins, analista ambiental do ICMBio. A região também é de difícil acesso, o que dificulta ainda mais a logística da ação.

Apesar do incêndio, a visitação aos atrativos do Parque Nacional continua normalmente, porque nenhum deles foi atingido ou ameaçado.

terça-feira, outubro 10, 2017

Prefeito de Andaraí participa de visita técnica ao Vale do Pati

Em parceria com o ICMBio, o objetivo foi avaliar a viabilidade de restaurar edificações e trilhas, como trechos da Ladeira do Império 



Inspeção no local da antiga escola do Cachoeirão. 
Na primeira semana de outubro, foi realizada uma expedição técnica ao Vale do Pati com o intuito de
analisar a possibilidade de restaurar edificações e trechos de trilhas dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) que estão em situação precária. A ação visa atender a uma demanda da Associação de Moradores do Vale do Pati (Ascopa).

A visita contou com a participação de técnicos e do prefeito do município de Andaraí, João Lúcio, além de representantes do ICMBio e da Ascopa. O Vale do Pati está localizado no centro do PNCD e a sua área está dentro dos limites dos municípios de Andaraí e Mucugê.

Uma das prioridades é a recuperação de um trecho da Ladeira do Império, pavimentada com pedras pelos antigos moradores, que desabou parcialmente dificultando a passagem dos animais de carga.  "As obras antigas são carregadas de sabedoria e demonstram uma engenharia surpreendente. É admirável que durem tanto tempo", destaca a chefe do Parque, Soraya Martins.

Segundo os moradores, a ponte de concreto sobre o Rio Pati também precisa ser recuperada, pois perdeu parte da sua estrutura nas enchentes, o que atrapalhou também a passagem das mulas e a logística dentro do Vale.

Levantamento da situação estrutural da Ladeira do Império. 


Para o prefeito, algumas intervenções irão demandar um grande esforço, devido ao difícil acesso e a necessidade de mão de obra especializada. Apesar disso, “acredito que consigamos ter êxito nessa investida, devido a parceria estabelecida entre prefeitura, moradores e ICMBio”, afirma. “Estamos elaborando um orçamento dentro da realidade financeira do município e acredito que, nos próximos 30 dias, conseguiremos iniciar as ações, levando-se em conta as condições climáticas”, ressalta João Lúcio.

A reconstrução total da edificação da escola do Cachoeirão, a fim de abrigar a sede da Ascopa, também foi uma das demandas avaliadas. De acordo com o analista ambiental do ICMBio, Pablo Casella, “o objetivo é realizar as obras de forma integrada, com a participação das três entidades: O Parque Nacional dará auxilio técnico nas intervenções e oferecerá mão de obra de brigadistas; a prefeitura ficará a cargo do material e mão de obra e os moradores irão contribuir com o transporte dos materiais”, explica.     

Prefeito de Andaraí, João Lúcio, durante a expedição técnica. 
A continuidade da ação depende da elaboração de projeto técnico, que será elaborado pelo departamento de engenharia da Prefeitura de Andaraí, e da aprovação do ICMBio. Estas não serão as primeiras intervenções a serem realizadas na localidade. No ano passado, o ICMBio realizou em parceria com a prefeitura de Mucugê e Ascopa, a manutenção da Rampa da Ruinha, na região do Pati de cima. 

terça-feira, setembro 26, 2017

Moradores de área do Parque Nacional participam de oficina

A atividade, realizada na comunidade da Fazenda Velha, visa à construção de um Termo de Compromisso para conciliar o modo de vida tradicional à preservação da biodiversidade  


Moradores reunidos com equipe do ICMBio e da Universidade Estadual da Bahia (UNEB). 
 
No início do mês de setembro, foi realizada na Fazenda Velha, pertencente ao município de Andaraí, a segunda reunião para a construção de um Termo de Compromisso entre moradores e o ICMBio. A comunidade fica localizada próxima à área alagada do Marimbus e é habitada por cerca de 35 famílias.

O diálogo foi iniciado a partir de uma demanda dos próprios moradores. Em formato de oficina, foram propostas atividades de forma lúdica e participativa, que resultaram no desenho de um mapa da comunidade. O intuito foi identificar e esclarecer quais os moradores possuem o direito de participar da assinatura do termo.

De acordo com a legislação federal, as terras dos Parques Nacionais devem ser da União. “Por esse motivo, a regra é que os proprietários ou moradores sejam diretamente indenizados pelos seus títulos de terra e benfeitorias. Exceto no caso de comunidades tradicionais, quando não há uma única solução possível. Neste caso, o Termo de Compromisso é utilizado para conciliar as necessidades dos moradores com as normas do Parque enquanto não se chega a uma  solução definitiva”, esclarece a chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), Soraya Martins.

Desenho do mapa da comunidade.


Os moradores também falaram sobre suas demandas, fazendo um paralelo entre a realidade atual e como gostariam que ela fosse. Foram elencadas reivindicações da comunidade como melhorias das habitações e do sistema de abastecimento de água. Ressaltaram ainda a importância do desenvolvimento de atividades como o turismo rural para a geração de renda.

A atividade foi planejada e conduzida pela conselheira do PNCD e coordenadora do curso de Comunição da UNEB (Universidade Estadual da Bahia)/Campus Seabra, Gislene Moreira. Para ela, essa é uma ação em que a universidade extrapola seus muros com o objetivo de contribuir na resolução dos problemas do território. “Nos colocamos à disposição para mediar esse diálogo e fazer com que ele seja o mais claro possível para todos”, acrescenta.          

Para o presidente da Associação de Moradores da Fazenda Velha, Carlos Eugênio, a reunião foi positiva e esclarecedora.  “Acredito que o Termo de Compromisso irá fortalecer a comunidade e contribuir para que tenhamos acesso a políticas públicas e, assim, vivermos melhor dentro do Parque”.

Coordenadora do Curso de Comunicação da UNEB levanta os anseios dos moradores. 


Próximo passo

Segundo Soraya, a partir do levantamento dos anseios da comunidade, serão desenvolvidas propostas que possam contribuir para atendê-los, em conformidade com as restrições do PNCD e, assim, avançar na construção do acordo. “O ICMBio pretende estabelecer acordos que conciliem as práticas tradicionais com a conservação dos recursos naturais e paisagísticos do Parque”, completa.
Foram programadas a realização de quatro oficinas. A primeira foi realizada no mês de maio, quando foi apresentada a legislação a cerca do tema, e a próxima está marcada para o dia 21 de outubro.

O que são comunidades tradicionais?  


Apresentação do grupo de Reisado 


Os povos e comunidades tradicionais são definidos como "grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos por tradição", de acordo com o Decreto Federal 6040 de 2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT).

No Brasil, eles são os quilombolas, ciganos, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, açorianos, campeiros, varzanteiros, pantaneiros, caatingueiros, entre outros.

Fotos: Rose Caroline Oliveira

quinta-feira, setembro 14, 2017

32 anos do PNCD será comemorado com pé na trilha

Representantes da sociedade foram convidados para realizar a travessia Capão – Lençóis e festejar, em plena natureza, o aniversário do Parque Nacional e os 10 anos do ICMBio   



Neste domingo, dia 17, o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) completa 32 anos. A data será celebrada em ritmo de aventura no percurso da trilha Capão – Lençóis, que contará com a participação de técnicos do ICMBio, conselheiros, brigadistas, guias, visitantes e moradores.

O trekking é uma forma descontraída de relembrar a trajetória do Parque Nacional e, ao mesmo tempo, ressaltar um dos inúmeros benefícios que a Unidade de Conservação oferece, que é a promoção da felicidade por meio da integração e o respeito à natureza.

A ação faz parte do projeto “10 picos, 10 travessias” para a comemoração dos 10 anos de existência do ICMBio, que vem sendo realizado ao longo de 2017. O circuito contempla algumas das mais belas paisagens naturais do País e a Chapada Diamantina foi uma das eleitas para compor a lista.

Trilha das mulas

Escolher a travessia Capão-Lençóis não foi tarefa fácil, diante as tantas opções existentes no Parque. “Ela possui importância histórica ligada ao período do garimpo, além de ter sido a primeira a ser operada comercialmente na área do PNCD”, afirma a analista ambiental, Marcela Marins.

Conhecida como trilha das mulas, ela foi aberta no século XIX para escoar produtos agrícolas, como banana, café e legumes, oriundos do Vale do Capão e Conceição dos Gatos, para a cidade de Lençóis.
No trecho de 18 km, sendo 9,5 km dentro do Parque Nacional, atravessam-se vários ecossistemas, como Cerrado, Mata Atlântica e Campo Rupestre, que mudam de acordo com o tipo de solo e condições climáticas. Além de cruzar diversos rios como o Rio dos Bois, Riachinho, Rio da Conceição, Ribeirão e Grisante.

Ao longo do percurso, os trilheiros passam por belezas singulares, como a vista do Morrão, do Vale do XXI; a Serra dos Cristais; a desembocadura para o vale do rio Ribeirão, onde existem vestígios de zonas de garimpos, e, por fim, a vista da cidade de Lençóis.


O número máximo de participantes na travessia é de 30 pessoas, divididas em três grupos que sairão com intervalos entre um e ouro. As medidas são para minimizar os impactos na trilha. Os convidados são representantes de diversos setores da sociedade que participam do dia a dia da Unidade de Conservação. A previsão de chegada a Lençóis é por volta das 18h, quando ocorrerá uma confraternização aberta a comunidade, na Praça do Coreto, na Av. 7 de Setembro.

quarta-feira, setembro 06, 2017

CONPARNA-CD realiza 60ª reunião em Andaraí

Conselho Consultivo define como prioridade aproximar o diálogo com Ministério Público Regional Ambiental sobre a situação dos recursos hídricos



No dia 26 de agosto, foi realizada a 60º reunião ordinária do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Chapada Diamantina (CONPARNA-CD), em Andaraí. Com a participação de cerca de 30 pessoas, entre conselheiros e convidados, foram apresentadas as ações realizadas pela gestão do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) desde o último encontro, além do debate sobre temas relevantes, como a situação dos recursos hídricos.  

A principal deliberação do dia foi o agendamento de uma reunião com o Promotor de Justiça Regional Ambiental, Dr. Augusto Matos, e membros do conselho, para esclarecimentos sobre a gestão das águas no território. “Entender as competências governamentais é uma das prioridades para avançarmos nessa questão”, afirma a chefe do PNCD, Soraya Martins. “Mas percebemos o quanto é urgente esse diálogo e, ao mesmo tempo, o quanto tem sido difícil realiza-lo”, acrescenta.

Também foi destaque da reunião a apresentação das atividades realizadas pelo Grupo de Trabalho de Visitação, como a minuta da portaria que irá formalizar o credenciamento dos condutores de visitantes que atuam dentro da Unidade de Conservação.

O representante da ONG Conservação Internacional (CI), Rogério Mucugê, também apresentou como foi a sua participação no I Seminário de Voluntariado do ICMBio, que ocorreu no mês de julho, em Brasília. O conselheiro participou do evento a convite do PNCD e enfatizou o diferencial e o potencial que existe na região para o desenvolvimento de ações importantes para a preservação da biodiversidade por meio do voluntariado.

A próxima reunião ordinária do Conselho Consultivo ocorrerá na comunidade do Baixão, no município de Ibicoara, no mês de dezembro.

quarta-feira, agosto 30, 2017

ICMBio e moradores do Pati retomam negociações

O objetivo é a celebração de um Termo de Compromisso com normas que conciliem o modo de vida tradicional da comunidade à preservação da biodiversidade    

Primeira reunião com os Patizeiros, dia 11 de agosto, após retomada do diálogo,  na Câmara de Vereadores de Andaraí. 


Foram retomadas, neste mês de agosto, as conversas com os moradores do Vale do Pati, comunidade localizada no interior da Unidade de Conservação (UC), para a finalização de um Termo de Compromisso. O Objetivo é estabelecer normas que conciliem o modo de vida tradicional da população local à preservação da biodiversidade.      

As negociações tiveram início há cerca de quatro anos, quando o PNCD produziu estudos antropológicos para conhecer melhor o histórico de ocupação e o modo de vida das famílias que habitam a localidade. Após inúmeras visitas e reuniões, foi elaborada uma minuta do Termo de Compromisso que, posteriormente, passou pela análise de várias instâncias superiores do ICMBio, recebendo outras contribuições. Agora, o parque retorna à comunidade para dar continuidade ao processo, realizar o mapeamento georreferenciado das propriedades e traçar estratégias para o monitoramento e regulação da visitação.

Os encontros ocorreram nos dias 11 e 19 de agosto, na cidade de Andaraí e no Pati. O Termo de Compromisso está sendo produzido de forma participativa entre moradores e o poder público, e visa, por intermédio do diálogo, celebrar acordos de boa convivência entre ambas as partes.
Para o presidente da Associação dos Moradores do Vale do Pati, Vivaldo Domingos, muitos patizeiros (como são conhecidos) estão conscientes sobre a importância de limites para a construção civil e a agropecuária, por exemplo, e esperam a orientação adequada para que possam adotar novas formas de realizar cada atividade.

Reunião no Vale do Pati, dia 19 de agosto, com os moradores. 


O que vai de encontro aos objetivos dos gestores do Parque, que veem no Termo de Compromisso uma oportunidade para a gestão e o desenvolvimento do turismo de base comunitária. “A travessia do Pati é uma das mais conhecidas da UC e, possivelmente, uma das mais visitadas do Brasil. Pretendemos construir com eles as estratégias de desenvolvimento dessa atividade, de modo a conciliar os saberes e modos de vida tradicionais com a conservação da biodiversidade: um grande desafio!”, ressalta Soraya Martins, Chefe do PNCD.

Além de desenvolver o turismo de base comunitária, o PNCD pretende, com base nos acordos, fomentar técnicas e tecnologias que evitem a contaminação ambiental, como o saneamento básico e a gestão de resíduos sólidos, e promover métodos de produção agrícola e manejo de pastagens mais eficientes e agroecológicos.

terça-feira, agosto 15, 2017

ICMBio realiza curso de combate integrado a incêndios florestais

A ferramenta apresentada é largamente aplicada internacionalmente. Seu objetivo é tornar as ações mais eficientes por meio da padronização e da atuação conjunta das diversas instituições envolvidas


Os dois primeiros dias do curso foram dedicados ao conteúdo teórico do SCI.  


Ocorreu entre os dias 08, 09 e 10, em Andaraí, o primeiro curso básico de SCI (Sistema de Comando de Incidentes) para incêndios florestais. O sistema é uma ferramenta padronizada, utilizada nos EUA e países da Europa, que visa à otimização dos recursos e maior segurança nos combates por meio da atuação conjunta de diversas instituições.  

Realizada pelo ICMBio e ministrada pelo IBAMA, a capacitação faz parte das ações prioritárias do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) para aprimorar as estratégias de combate ao fogo.  Participaram mais de 40 pessoas, entre representantes das brigadas do ICMBio, do  Prevfogo/IBAMA e das brigadas voluntárias, além de instituições como Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, prefeituras e INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos).  
     
O curso foi composto por representantes de mais de dez instituições, entre as três esferas do poder público e a sociedade civil organizada. 


De acordo com o Coordenador de Emergências Ambientais do ICMBio, de Brasília, Christian Berlinck,  o SCI foi utilizado pelo instituto nas últimas grandes operações e o objetivo é multiplicá-lo por todo país, sendo a Chapada Diamantina a primeira unidade descentralizada a receber uma capacitação com esta finalidade.    

O SCI nasceu na década de 70 na Califórnia e, desde 2003 é a ferramenta oficial para todos os tipos de incidentes dos Estados Unidos. Foi aplicada em diversos tipos de desastres naturais e previamente em eventos de grande porte, como as olimpíadas. No Brasil, foi adotado por alguns estados e, em âmbito nacional, foi escolhido para compor o Plano Nacional Integrado do Fogo, que está sendo construído em parceria entre Ministério do Meio Ambiente (MMA), IBAMA e ICMBio.

Como funciona 

Planejamento das estratégias a serem empregadas em um estudo de caso de incêndios florestais. 



O principal objetivo do Sistema de Comando de Incidentes é a operação de uma estrutura organizacional composta por instalações, equipamentos e profissionais de diversas instituições para administrar da melhor forma os recursos disponíveis para um incidente ou evento. Para isso, existem alguns princípios, como: possuir uma terminologia comum entre as diversas instituições; ter uma comunicação integrada; produzir um plano de ação e ter um comando unificado. Além de oito funções que precisam ser colocadas em prática: o comando do incidente; operações; logística; administração e finanças; segurança; informação pública e ligação.

O comando unificado é um dos princípios de maior destaque do SCI, em especial no contexto da região do Parque Nacional, que conta com uma grande diversidade de atores nos combates. Ele é instituído com representantes das entidades envolvidas num incidente, que passam a planejar de forma conjunta as atividades e conduzir operações integradas.

A chefe do PNCD, Soraya Martins, acredita que estabelecer o comando unificado “dá legitimidade as ações, ainda mais na Chapada Diamantina, onde temos a peculiaridade de uma participação forte da sociedade civil”.  Para o brigadista voluntário há 12 anos, Leandro Santos, de Ibicoara, o sistema traz a possibilidade de melhorar alguns gargalos antigos, como as falhas na comunicação e, principalmente, a descentralização da tomada de decisão. “É uma oportunidade para darmos voz às pessoas mais experientes”.    

Uma das formas de estabelecer a integração efetiva entre Corpo de Bombeiros, brigadas e órgãos públicos, é através de protocolos que devem ser firmados por todas as partes, definindo previamente a responsabilidade de cada um.

Simulação 

Na simulação, instituições como Prevfogo/IBAMA, ICMBio, Corpo de Bombeiros, CIPPA (Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental) e brigadas, realizam combate de forma integrada.  


O último dia de curso foi dedicado à parte prática, com uma simulação de incêndio no Parque Nacional. Neste momento, foi possível testar a ferramenta em diversos níveis de complexidade. Iniciando com um foco pequeno, que contou apenas com a uma brigada voluntária, agregando depois a brigada do ICMBio, chegando até um incêndio de grande porte, quando foi necessário acionar instituições estaduais e federais, além de ampliar o arranjo organizacional, com novas instalações, seções e funções.  

“Percebemos que os participantes internalizaram a teoria do curso e o quanto o SCI é importante para a efetividade do combate, além de vermos os pontos que precisam ser melhorados”, ressalta a analista ambiental do ICMBio, Marcela de Marins.

Ao final da simulação, quando os incêndios foram debelados, foi realizada a desmobilização progressiva de toda estrutura empregada.