terça-feira, junho 05, 2018

Parque Nacional Chapada Diamantina tem menor área de incêndios da história


 Em 2017, apenas 0,07% da área da unidade de conservação foi atingida pelo fogo. O resultado considerado inédito é decorrente de ações empregadas nas áreas de monitoramento, combate e investigação


Curso de formação de novos brigadistas realizado pelo ICMBio, 2018. Foto: Maiara Luane 


O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) registrou, no ano passado, o menor índice de incêndios dos últimos 16 anos e, provavelmente, o da sua história. A área total atingida foi de aproximadamente 113 hectares, o que equivale a apenas 0,07% do seu território. O resultado é considerado um avanço, visto que os incêndios florestais são considerados o maior problema da unidade de conservação (UC).   

Em 2017, na temporada de incêndios, contabilizada de fevereiro de 2017 a março de 2018, foram registrados 19 focos, um número muito pequeno comparado à média histórica. No ano de 2002, por exemplo, quando os incêndios passaram a ser monitorados com maior precisão, foram registrados cerca de 250 focos, um número 13 vezes maior. 


Dados coletados pela estação pluviométrica de Lençóis mostram que, apesar do clima cada vez mais seco, foi possível diminuir as áreas queimadas. Em 2015, por exemplo, quando mais de 20% da sua área foi atingida pelo fogo, caíram cerca de 730 mm de chuva, enquanto o ano 2017, apesar de ter recebido 100 mm a menos, teve quase 20 vezes menos o número de incêndios. 

Áreas atingidas por incêndios nos anos de 2005 e 2008

Áreas atingidas por incêndios nos anos de 2016 e 2017


A realização de ações integradas possibilitou a queda efetiva das queimadas, mesmo com a diminuição das chuvas decorrente das mudanças climáticas. O resultado é fruto de uma política adotada pelo Parque Nacional ao longo das últimas décadas, marcada pela retirada do gado da serra em 2002 e que começa a se consolidar. A ampliação da equipe de analistas ambientais que atuam na unidade, em 2016, é outro marco que contribuiu consideravelmente para o processo. Foi quando o PNCD passou a ter um gerente do fogo, ou seja, um profissional, perito em incêndios florestais, com dedicação quase que exclusiva ao tema.   

A partir disso, foi possível realizar uma série de investimentos em áreas estratégicas, como a implantação de um sistema de comunicação, a realização de cursos para qualificação profissional e a aquisição e manutenção de equipamentos. A gestão passou, então, a atuar de forma equilibrada em três pilares fundamentais: monitoramento, combate e investigação. 

Esse conjunto de ações foi percebido claramente “no tempo de resposta aos incêndios”, afirma o gerente do fogo, Luiz Coslope. “Eles se tornaram muito mais rápidos. Nossa brigada passou a ser acionada imediatamente após os focos serem detectados, impedindo que se alastrassem”, explica.
Somado a isso, foi possível também conter incêndios de grande proporção localizados em áreas vizinhas, como o que ocorreu na região da Chapadinha, no final de 2017. “Apesar de ter atingido mais de 800 hectares, conseguimos proteger o Parque Nacional e impedir que o prejuízo fosse ainda maior”, destaca Coslope.    


Veja cada ação realizada para a queda dos incêndios:  








Rapidez no combate  


O monitoramento constante em pontos estratégicos do Parque Nacional, entre os meses de julho a fevereiro, unido à cobertura de sinal de rádio em 40% do território da unidade de conservação é atribuído pela gestão como uma das ações que mais tem contribuído para o sucesso dos combates. 

      
A inauguração de uma base para a brigada em Mucugê também foi essencial para a agilidade no deslocamento até os incêndios na região sul. “Além disso, não houve nenhuma limitação de transporte e alimentação nesse período”, destaca Coslope.  

Mudança cultural  



Brigadista do Prevfogo/IBAMA realiza ação de educação ambiental em comunidade no entorno do PNCD, 2014. Foto: Augusto César C Franchi 


Outro fator considerado relevante para o bom resultado, é que a população está mais consciente e cooperante em diversos aspectos. “Ela deixou de fazer queimadas e passou a dar apoio no combate e na denúncia aos infratores. Além disso, muitas atividades realizadas dentro do Parque Nacional, que sempre utilizaram o fogo, estão deixando de existir, como o garimpo, a criação de animais e a coleta de sempre-vivas”, afirma o gerente do fogo.    

Segundo o biólogo Roy Funch, primeiro chefe da unidade de conservação, “a utilização do fogo, para limpar áreas e renovar pastagens, existe desde quando o Parque Nacional foi criado, em 1985. É um aspecto da cultura local, não é por maldade”.  

Ele conta que os incêndios eram tão corriqueiros e sem importância que “um único foco era capaz de atravessar a unidade. Nada o impedia. Eu já vi um fogo começar no Vale do Morrão, passar pelo Vale do Pati, e quase chegar a Mucugê”, conta Funch.  

Por isso, opina o biólogo: “certamente o índice de 2017 é o mais baixo da história”, decorrente também de uma transformação longa na relação do morador com o seu meio.

Texto: Laís Correard 

14 comentários:

  1. Conte outra que essa foi engraçada !!!! Vao procurar o que fazer rapaz dois anos de intensa chuvas ! Onde e que essas ações estão sendo feitas mesmo kd as fotos dessas ações ? So blablabla conversa pra boi dormir .

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    1. Esse Roy Fanck e o maior charlatao que já ouve na chapada diamantina !!!

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  2. Sistema de rádio? Kkkkkk
    Nada foi implantado. Só tem 1 antena no Morro do Miguel e um monte de rádios móveis sucateados!

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    1. Há dois anos a cobertura do sistema de rádio era zero. hoje temos 40% do parque coberto. Tínhamos 2 HTs (Rádios Comunicadores), hoje temos 14 HTs. É muito pouco, concordo. Mas é uma melhora. E olha, pode não parecer, mas não foi fácil de conseguir. A boa notícia é que em parceria com a Defesa Civil da BA, fruto de uma reunião do Conselho do parque, em breve teremos um novo sistema de rádio cobrindo todo o parque, integrado com outros municípios da Chapada. Soraya Fernandes Martins. Chefe do PNCD.

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  3. Se não fossem as brigadas voluntarias,seriam 100%do parque nacional queimado...
    Param com essa lorota,ja deu,isso nancola mais!

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    1. Concordo que a ação das brigadas voluntárias é fundamental para o sistema todo funcionar. O texto é uma tentativa de prestar contas de algumas das medidas que estamos tomando no âmbito do ICMBio. Anualmente o PNCD capacita no mínimo 90 brigadistas dos quais 42 são contratados. Entre os contratados a maioria é formada por pessoas que são brigadistas voluntários. Então há um círculo virtuoso em que o ICMBio contrata e forma brigadistas que se já não são, se tornam voluntários. Em 2016 nós distribuímos cerca de 120 kits de EPIs (equipamentos de proteção individual) para as brigadas voluntárias. No ano passado INEMA também equipou as brigadas. O desafio hoje é avançar no Sistema de Comando de Incidentes, para integrar o comando das operações e garantir mais segurança pra quem está em combate, seja voluntário ou contratado. Já fizemos um curso de SCI com a participação de 15 brigadas voluntárias e vários órgãos públicos. Mas ainda há muito o que fazer. Soraya Fernandes Martins. Chefe do PNCD

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  4. Contra fatos não há argumentos. Menor área queimada da história do PNCD, desde que temos notícia. Já tivemos anos com mais chuvas. Já tivemos anos com a mesma quantidade de chuva. A temporada 2017/2018 (que foi de fevereiro de 2017 a março de 2018) foi um grande sucesso, apesar de todas as dificuldades. "Em 2015, por exemplo, quando mais de 20% da sua área foi atingida pelo fogo, caíram cerca de 730 mm de chuva, enquanto o ano 2017, apesar de ter recebido 100 mm a menos, teve quase 20 vezes menos o número de incêndios." Certamente o trabalho das brigadas voluntárias foi essencial. O texto pretende tão somente prestar contas de algumas das ações do ICMBio. Que essa temporada seja ainda melhor! Soraya Fernandes Martins - Chefe do PNCD.

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  5. Se hj ou ontem não teve fogo ou ano passado ou esse ano não e pelo trabalho do icmbio isso e um fato tomara que amanha ou ano que vem realmente tenha esse trabalho ai sim todos os mérito a quem esta fazendo por onde ate la quem viver vera !

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    1. Não esperamos todos os méritos, pois muitas pessoas de fora do ICMBio trabalham duro para minimizar os efeitos danosos dos incêndios. Além disso temos sempre componentes climáticos, econômicos e sociais que também influenciam os resultados finais. Mas nem por isso podemos ignorar os esforços da gestão. Ainda que tenhamos muito a crescer, a conquistar e melhorar. Soraya Fernandes Martins.

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  6. Não precisa ser nenhum PHD meteorológico para ver que mesmo com 100mm a menos as chuvas foram mais constantes diminuindo o índice de inflamabilidade da região por manter a área mais úmida por mais tempo. Pontuar as ações acima como responsáveis por diminuir os incêndios florestais da região mostra até um certo amadorismo por parte do gestor. O que se observa é que os focos q surgiram nos últimos anos demoram mais de dois dias para serem debelados e na maioria foi a chuva quem debelou. O ICM-Bio atua como as Brigadas Voluntárias não fazendo nada a mais do que os voluntários já fazem o que é errado, pois as 6horas da manhã saem todos do combate e as 11horas o fogo reinicia formando novas linhas maiores que do dia anterior. Os analistas do ICM-Bio se ao invés de irem dormir a noite fossem organizar os Brigadistas Contratados para entrarem no combate as 5 horas da manhã promovendo um rodízio eficiente entre as Brigadas seria mais produtivo do que ficar fazendo o q fazem as Brigadas Voluntárias (combate noturno). Isso se deve pelo fato de os analistas aprenderam a apagar fogo como os voluntários.... porém eles são os gestores tem q fazer algo diferente... algo a mais.... Também deve ser considerado que os anos seguintes após grandes queimadas o numero de focos caem bastante por motivos como diminuição de interesse em queimar, pois as áreas de interesse já estão queimadas.....

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    1. Essa não é uma conta de soma zero, em que os esforços das instituições públicas diminuem o mérito das brigadas voluntárias, ou vice-versa. Não estamos aqui competindo com os esforços das brigadas voluntárias, que como já repetimos, é essencial para a proteção da chapada. A maioria dos nossos brigadistas contratados ou são ou se tornarão voluntários. Os voluntários que estiveram em combate com as brigadas contratadas no ano passado podem testemunhar o quanto essa relação foi bem sucedida. Mas sempre tem quem prefere a guerra em vez da cooperação. O seu post está carregado de agressões gratuitas e desrespeitosas, o que demonstra apenas o desejo de fomentar uma guerra entre nós (ICMBio) e os voluntários. Uma guerra que não existe na linha de fogo, só existe nas redes sociais. Apesar disso, posso ver que você é brigadista voluntário e por isso entendo que a sua opinião foi construída ao longo dos anos, e por isso só posso lamentar que não seja capaz de reconhecer os esforços da gestão.

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  7. Ah, para aumentar a credibilidade do informativo vale ressaltar que Roy Funch nunca organizou um combate.

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