A proteção dos insetos polinizadores vem sendo
fortalecida no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) por meio de ações
que integram diálogo comunitário, formação técnica e planejamento
institucional. Nesse contexto, foi realizada uma formação em meliponicultura na
Comunidade Quilombola da Fazenda Velha, em Andaraí (BA), atendendo a uma
demanda apresentada pelos próprios moradores durante as discussões relacionadas
ao Termo de Compromisso em processo de construção junto ao Parque. A iniciativa
buscou ampliar o conhecimento sobre o manejo de abelhas nativas sem ferrão,
destacando seu potencial para a conservação ambiental e para a geração de
alternativas sustentáveis de renda no território.
Formação comunitária fortalece
manejo de abelhas nativas
Entre os dias 22 e 24 de janeiro de 2026, moradores
da Comunidade Quilombola da Fazenda Velha e brigadistas do ICMBio residentes na
região participaram da formação voltada ao cultivo e manejo de abelhas nativas.
A ação foi organizada pela gestão do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em
articulação com a COGCOT/CGSAM do ICMBio e o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (INCRA), com apoio do Consórcio Chapada Forte, que cedeu o
espaço para as aulas teóricas.

Conduzido pelo instrutor Marcelo Alexandre Silva,
servidor do INCRA na Bahia, o curso combinou momentos teóricos, oficinas
práticas e visita técnica. Ao longo dos encontros, os participantes conheceram
a diversidade de abelhas nativas brasileiras, com destaque para os grupos das
meliponas e das trigonas — dois dos principais conjuntos de abelhas sem ferrão
presentes no país —, compreendendo sua relevância ecológica, especialmente para
a polinização e produção de alimentos, além das possibilidades econômicas
associadas à meliponicultura.
Na sede da Associação dos Moradores da Fazenda
Velha, as atividades práticas abordaram técnicas de manejo, preparo de
atrativos para captura de enxames e confecção de “ninhos-isca” utilizando
geoprópolis. Os materiais produzidos foram distribuídos entre os participantes,
incentivando a continuidade da prática na comunidade.

O segundo dia aprofundou conteúdos relacionados aos
cuidados sanitários, alimentação artificial e estruturas adequadas para criação
de abelhas sem ferrão, com destaque para a caixa INPA, modelo desenvolvido pelo
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e atualmente considerado o mais
adequado para o manejo dessas espécies. Um dos momentos mais marcantes ocorreu
durante o resgate coletivo de um enxame encontrado em uma árvore da comunidade,
transferido para uma caixa apropriada sob orientação técnica. O procedimento
contribuiu para a conservação da colônia e resultou na primeira espécie de
abelha que será manejada coletivamente na comunidade, do tipo mandaguari preta.

A programação incluiu ainda uma visita técnica ao meliponário Bee Origem, em Mucugê, parceiro do Projeto Poli-LAC, cuja colaboração viabilizou essa etapa da formação. A visita foi guiada pelo meliponicultor Marcos Adriano Silva Rocha, responsável pelo meliponário educativo, que apresentou a estrutura, as espécies mantidas no local e a rotina de manejo das abelhas sem ferrão. Durante a atividade, a bióloga Danielle Vilar também realizou uma apresentação sobre o Projeto Poli-LAC, contextualizando a iniciativa e sua atuação na proteção dos insetos polinizadores na região. A experiência permitiu aos participantes consolidar, na prática, os conhecimentos construídos ao longo do curso.



O encerramento ocorreu na Base de Brigada do PNCD, em Mucugê, com a entrega de certificados e um momento de confraternização entre participantes, instrutores e equipe técnica, reforçando o caráter colaborativo da iniciativa.
Planejamento nacional fortalece
ações de conservação dos polinizadores
As ações desenvolvidas na Chapada Diamantina
dialogam com iniciativas mais amplas voltadas à proteção dos polinizadores no
Brasil e na América Latina. Nesse contexto, representantes do Parque Nacional
da Chapada Diamantina participaram do encontro do Planejamento Operativo Anual
(POA) do Projeto Poli-LAC Brasil, realizado em Brasília, na sede do Instituto
Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
O encontro reuniu representantes da cooperação
alemã GIZ, do IICA — responsável pela implementação do projeto no país —, da
Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), além de instituições
parceiras como EMBRAPA, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério
do Meio Ambiente (MMA), INEMA-BA e outras organizações envolvidas na agenda de
conservação dos polinizadores.
O ICMBio foi representado nacionalmente por Onildo
João Marini Filho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação em
Biodiversidade e Restauração Ecológica (CBC), e, no âmbito local, pelos
analistas ambientais Cezar Neubert Gonçalves e Maria Clara Bezerra, e pelo
brigadista Lucas Almeida, que atuam no Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Durante dois dias e meio de atividades, os
participantes revisaram os avanços do projeto no Brasil, analisaram os
resultados alcançados em 2025 e pactuaram o planejamento estratégico e as
atividades prioritárias previstas para 2026. Também foram debatidos os planos
de formação, comunicação e gestão do conhecimento, promovendo intensa troca de
experiências e o fortalecimento das parcerias institucionais.
Entre os encaminhamentos definidos estão a
realização de novas visitas técnicas e a aplicação de protocolos de
levantamento de dados e monitoramento nos territórios considerados pontos
focais do projeto na Chapada Diamantina, incluindo áreas do Parque Nacional.
Como resultado direto das discussões — e
considerando o interesse comunitário demonstrado e os resultados positivos da
formação em meliponicultura —, a Comunidade Quilombola da Fazenda Velha passou
a integrar oficialmente o conjunto de áreas acompanhadas pelas ações de
pesquisa e monitoramento do projeto. A inclusão representa um avanço importante
tanto para o fortalecimento das relações entre o Parque Nacional e a comunidade
quanto para a ampliação das estratégias de conservação associadas ao
conhecimento tradicional e à participação social.
***************************************************
O projeto Proteção dos Insetos Polinizadores na América Latina e no Caribe (Poli-LAC) é implementado no Brasil pela GIZ em parceria com o MAPA, e financiado pelo Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) como parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI). Conta conta com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), da Fundação de Apoio à Cultura, Ensino, Pesquisa e Extensão de Alfenas (@facepealfenas ) e do Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (@mdagovbr ). O Poli-LAC é um projeto regional que atua em cinco países da América Latina: Brasil, Costa Rica, México, Paraguai e Peru.