A proteção dos insetos polinizadores vem sendo fortalecida no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) por meio de ações que integram diálogo comunitário, formação técnica e planejamento institucional. Nesse contexto, foi realizada uma formação em meliponicultura na Comunidade Quilombola da Fazenda Velha, em Andaraí (BA), atendendo a uma demanda apresentada pelos próprios moradores durante as discussões relacionadas ao Termo de Compromisso em processo de construção junto ao Parque. A iniciativa buscou ampliar o conhecimento sobre o manejo de abelhas nativas sem ferrão, destacando seu potencial para a conservação ambiental e para a geração de alternativas sustentáveis de renda no território.
Formação comunitária fortalece
manejo de abelhas nativas
Conduzido pelo instrutor Marcelo Alexandre Silva,
servidor do INCRA na Bahia, o curso combinou momentos teóricos, oficinas
práticas e visita técnica. Ao longo dos encontros, os participantes conheceram
a diversidade de abelhas nativas brasileiras, com destaque para os grupos das
meliponas e das trigonas — dois dos principais conjuntos de abelhas sem ferrão
presentes no país —, compreendendo sua relevância ecológica, especialmente para
a polinização e produção de alimentos, além das possibilidades econômicas
associadas à meliponicultura.
Na sede da Associação dos Moradores da Fazenda
Velha, as atividades práticas abordaram técnicas de manejo, preparo de
atrativos para captura de enxames e confecção de “ninhos-isca” utilizando
geoprópolis. Os materiais produzidos foram distribuídos entre os participantes,
incentivando a continuidade da prática na comunidade.
O segundo dia aprofundou conteúdos relacionados aos cuidados sanitários, alimentação artificial e estruturas adequadas para criação de abelhas sem ferrão, com destaque para a caixa INPA, modelo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e atualmente considerado o mais adequado para o manejo dessas espécies. Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o resgate coletivo de um enxame encontrado em uma árvore da comunidade, transferido para uma caixa apropriada sob orientação técnica. O procedimento contribuiu para a conservação da colônia e resultou na primeira espécie de abelha que será manejada coletivamente na comunidade, do tipo mandaguari preta.
Planejamento nacional fortalece
ações de conservação dos polinizadores
As ações desenvolvidas na Chapada Diamantina
dialogam com iniciativas mais amplas voltadas à proteção dos polinizadores no
Brasil e na América Latina. Nesse contexto, representantes do Parque Nacional
da Chapada Diamantina participaram do encontro do Planejamento Operativo Anual
(POA) do Projeto Poli-LAC Brasil, realizado em Brasília, na sede do Instituto
Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
O encontro reuniu representantes da cooperação
alemã GIZ, do IICA — responsável pela implementação do projeto no país —, da
Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), além de instituições
parceiras como EMBRAPA, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério
do Meio Ambiente (MMA), INEMA-BA e outras organizações envolvidas na agenda de
conservação dos polinizadores.
O ICMBio foi representado nacionalmente por Onildo
João Marini Filho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação em
Biodiversidade e Restauração Ecológica (CBC), e, no âmbito local, pelos
analistas ambientais Cezar Neubert Gonçalves e Maria Clara Bezerra, e pelo
brigadista Lucas Almeida, que atuam no Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Durante dois dias e meio de atividades, os
participantes revisaram os avanços do projeto no Brasil, analisaram os
resultados alcançados em 2025 e pactuaram o planejamento estratégico e as
atividades prioritárias previstas para 2026. Também foram debatidos os planos
de formação, comunicação e gestão do conhecimento, promovendo intensa troca de
experiências e o fortalecimento das parcerias institucionais.
Entre os encaminhamentos definidos estão a realização de novas visitas técnicas e a aplicação de protocolos de levantamento de dados e monitoramento nos territórios considerados pontos focais do projeto na Chapada Diamantina, incluindo áreas do Parque Nacional.
Como resultado direto das discussões — e
considerando o interesse comunitário demonstrado e os resultados positivos da
formação em meliponicultura —, a Comunidade Quilombola da Fazenda Velha passou
a integrar oficialmente o conjunto de áreas acompanhadas pelas ações de
pesquisa e monitoramento do projeto. A inclusão representa um avanço importante
tanto para o fortalecimento das relações entre o Parque Nacional e a comunidade
quanto para a ampliação das estratégias de conservação associadas ao
conhecimento tradicional e à participação social.
O projeto Proteção dos Insetos Polinizadores na América Latina e no Caribe (Poli-LAC) é implementado no Brasil pela GIZ em parceria com o MAPA, e financiado pelo Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) como parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI). Conta conta com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), da Fundação de Apoio à Cultura, Ensino, Pesquisa e Extensão de Alfenas (@facepealfenas ) e do Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (@mdagovbr ). O Poli-LAC é um projeto regional que atua em cinco países da América Latina: Brasil, Costa Rica, México, Paraguai e Peru.
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