terça-feira, março 24, 2026

A proteção dos insetos polinizadores mobiliza ações formativas e planejamento estratégico no Parque Nacional da Chapada Diamantina


A proteção dos insetos polinizadores vem sendo fortalecida no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) por meio de ações que integram diálogo comunitário, formação técnica e planejamento institucional. Nesse contexto, foi realizada uma formação em meliponicultura na Comunidade Quilombola da Fazenda Velha, em Andaraí (BA), atendendo a uma demanda apresentada pelos próprios moradores durante as discussões relacionadas ao Termo de Compromisso em processo de construção junto ao Parque. A iniciativa buscou ampliar o conhecimento sobre o manejo de abelhas nativas sem ferrão, destacando seu potencial para a conservação ambiental e para a geração de alternativas sustentáveis de renda no território.


Formação comunitária fortalece manejo de abelhas nativas

Entre os dias 22 e 24 de janeiro de 2026, moradores da Comunidade Quilombola da Fazenda Velha e brigadistas do ICMBio residentes na região participaram da formação voltada ao cultivo e manejo de abelhas nativas. A ação foi organizada pela gestão do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em articulação com a COGCOT/CGSAM do ICMBio e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), com apoio do Consórcio Chapada Forte, que cedeu o espaço para as aulas teóricas.



Conduzido pelo instrutor Marcelo Alexandre Silva, servidor do INCRA na Bahia, o curso combinou momentos teóricos, oficinas práticas e visita técnica. Ao longo dos encontros, os participantes conheceram a diversidade de abelhas nativas brasileiras, com destaque para os grupos das meliponas e das trigonas — dois dos principais conjuntos de abelhas sem ferrão presentes no país —, compreendendo sua relevância ecológica, especialmente para a polinização e produção de alimentos, além das possibilidades econômicas associadas à meliponicultura.

Na sede da Associação dos Moradores da Fazenda Velha, as atividades práticas abordaram técnicas de manejo, preparo de atrativos para captura de enxames e confecção de “ninhos-isca” utilizando geoprópolis. Os materiais produzidos foram distribuídos entre os participantes, incentivando a continuidade da prática na comunidade.



O segundo dia aprofundou conteúdos relacionados aos cuidados sanitários, alimentação artificial e estruturas adequadas para criação de abelhas sem ferrão, com destaque para a caixa INPA, modelo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e atualmente considerado o mais adequado para o manejo dessas espécies. Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o resgate coletivo de um enxame encontrado em uma árvore da comunidade, transferido para uma caixa apropriada sob orientação técnica. O procedimento contribuiu para a conservação da colônia e resultou na primeira espécie de abelha que será manejada coletivamente na comunidade, do tipo mandaguari preta.


   

 

A programação incluiu ainda uma visita técnica ao meliponário Bee Origem, em Mucugê, parceiro do Projeto Poli-LAC, cuja colaboração viabilizou essa etapa da formação. A visita foi guiada pelo meliponicultor Marcos Adriano Silva Rocha, responsável pelo meliponário educativo, que apresentou a estrutura, as espécies mantidas no local e a rotina de manejo das abelhas sem ferrão. Durante a atividade, a bióloga Danielle Vilar também realizou uma apresentação sobre o Projeto Poli-LAC, contextualizando a iniciativa e sua atuação na proteção dos insetos polinizadores na região. A experiência permitiu aos participantes consolidar, na prática, os conhecimentos construídos ao longo do curso.


 

O encerramento ocorreu na Base de Brigada do PNCD, em Mucugê, com a entrega de certificados e um momento de confraternização entre participantes, instrutores e equipe técnica, reforçando o caráter colaborativo da iniciativa.


Planejamento nacional fortalece ações de conservação dos polinizadores

As ações desenvolvidas na Chapada Diamantina dialogam com iniciativas mais amplas voltadas à proteção dos polinizadores no Brasil e na América Latina. Nesse contexto, representantes do Parque Nacional da Chapada Diamantina participaram do encontro do Planejamento Operativo Anual (POA) do Projeto Poli-LAC Brasil, realizado em Brasília, na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

O encontro reuniu representantes da cooperação alemã GIZ, do IICA — responsável pela implementação do projeto no país —, da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), além de instituições parceiras como EMBRAPA, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério do Meio Ambiente (MMA), INEMA-BA e outras organizações envolvidas na agenda de conservação dos polinizadores.

O ICMBio foi representado nacionalmente por Onildo João Marini Filho, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação em Biodiversidade e Restauração Ecológica (CBC), e, no âmbito local, pelos analistas ambientais Cezar Neubert Gonçalves e Maria Clara Bezerra, e pelo brigadista Lucas Almeida, que atuam no Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Durante dois dias e meio de atividades, os participantes revisaram os avanços do projeto no Brasil, analisaram os resultados alcançados em 2025 e pactuaram o planejamento estratégico e as atividades prioritárias previstas para 2026. Também foram debatidos os planos de formação, comunicação e gestão do conhecimento, promovendo intensa troca de experiências e o fortalecimento das parcerias institucionais.




Entre os encaminhamentos definidos estão a realização de novas visitas técnicas e a aplicação de protocolos de levantamento de dados e monitoramento nos territórios considerados pontos focais do projeto na Chapada Diamantina, incluindo áreas do Parque Nacional.

Como resultado direto das discussões — e considerando o interesse comunitário demonstrado e os resultados positivos da formação em meliponicultura —, a Comunidade Quilombola da Fazenda Velha passou a integrar oficialmente o conjunto de áreas acompanhadas pelas ações de pesquisa e monitoramento do projeto. A inclusão representa um avanço importante tanto para o fortalecimento das relações entre o Parque Nacional e a comunidade quanto para a ampliação das estratégias de conservação associadas ao conhecimento tradicional e à participação social.

 

***************************************************

O projeto Proteção dos Insetos Polinizadores na América Latina e no Caribe (Poli-LAC) é implementado no Brasil pela GIZ em parceria com o MAPA,  e financiado pelo Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) como parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI). Conta conta com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), da Fundação de Apoio à Cultura, Ensino, Pesquisa e Extensão de Alfenas (@facepealfenas ) e do Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (@mdagovbr ). O Poli-LAC é um projeto regional que atua em cinco países da América Latina: Brasil, Costa Rica, México, Paraguai e Peru.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezado leitor, os seus comentários são muito importantes para nós, por isso, desde já agradecemos imensamente a sua participação. Ressaltamos, apenas, que não autorizamos mensagens com conteúdos comerciais, ofensivos e de autores anônimos. Atenciosamente, gestão do PNCD.